Lipoaspiração – retração da pele , o que é real ? mais de 5 dicas importantes para voce enteder

Retração da pele após lipoaspiração: por que a temperatura importa

Uma das dúvidas mais frequentes de quem pensa em fazer uma lipoaspiração é:

“Depois que a gordura for retirada, minha pele vai retrair?”

A resposta depende de vários fatores.

A lipoaspiração reduz o excesso de gordura localizada, mas não retira pele. Renuvion, Argoplasma, Retraction, Quantum RF não derretem gordura , se te venderam isto corra porque a afirmação não é verdadeira. Depois da cirurgia, a pele precisa se adaptar ao novo volume e ao novo contorno corporal. Essa capacidade de acomodação varia de pessoa para pessoa e pode ser influenciada pela idade, qualidade da pele, quantidade de gordura retirada, presença de estrias, flacidez prévia, oscilações de peso e características individuais do tecido.

Por esse motivo, nos últimos anos foram desenvolvidas tecnologias que podem ser associadas à lipoaspiração com o objetivo de estimular maior contração dos tecidos.

Entre elas estão diferentes formas de radiofrequência, plasma associado à radiofrequência, laser e ultrassom.

Mas existe um conceito importante para o paciente compreender:

nenhuma tecnologia consegue transformar uma pele com grande excesso em uma pele sem flacidez.

lipoaspiracao e retracao de pele

A tecnologia pode ajudar na retração. Ela não substitui uma indicação cirúrgica correta.

O que significa “retração da pele”?

A pele não é uma estrutura passiva.

Abaixo dela existe uma complexa rede de colágeno, elastina, septos fibrosos e tecido conjuntivo que conecta a pele às estruturas mais profundas.

Quando determinadas formas de energia aquecem esses tecidos de maneira controlada, as fibras de colágeno podem sofrer uma contração inicial. Posteriormente, o processo de cicatrização e remodelamento pode estimular alterações adicionais do colágeno ao longo dos meses.

Por isso, quando falamos em tecnologias para retração após a lipoaspiração, existem dois momentos diferentes:

efeito imediato: contração térmica de determinadas estruturas de colágeno;

efeito progressivo: remodelamento tecidual que ocorre durante a cicatrização nos meses seguintes.

Isso ajuda a explicar por que o resultado final de uma lipoaspiração associada a tecnologias de retração não deve ser avaliado apenas nas primeiras semanas.

Quanto mais quente, melhor?

Não.

Esse é um dos conceitos mais importantes.

Ao comparar tecnologias, pode parecer lógico imaginar que o equipamento que produz a maior temperatura provocará também a maior retração. Essa conclusão é simplista.

O efeito térmico depende da combinação de vários fatores:

temperatura + tempo de exposição + profundidade + distribuição da energia + características do tecido.

Uma temperatura muito elevada aplicada durante uma fração de segundo pode produzir um efeito diferente de uma temperatura menor mantida por vários segundos.

É o conceito de dose térmica.

Portanto, não faz sentido comparar tecnologias olhando apenas para a temperatura máxima anunciada por cada equipamento.

Renuvion: alta temperatura por um período muito curto

O Renuvion combina radiofrequência e plasma de hélio.

Uma característica interessante dessa tecnologia é a possibilidade de produzir temperaturas muito elevadas de forma extremamente rápida e localizada.

O tecido próximo ao plasma pode atingir temperaturas superiores a 85 °C, porém por períodos muito curtos — aproximadamente centésimos de segundo — com rápida dissipação do calor. E esta é a temperatura adequada para máxima contração de colágeno descrita cientificamente.

Essa combinação de alta temperatura + curtíssimo tempo de exposição busca produzir contração do tecido conjuntivo limitando a propagação térmica para estruturas adjacentes.

Alem do curtissimo intervalo de tempo temos o resfriamento pela dissipação do gás hélio, isto aumenta a segurança.

Atualmente é o único aparelho que possui liberaçao para retracao de pele pelo FDA, Anvisa, Europa.

É uma distinção importante para evitar interpretações equivocadas.

BodyTite e radiofrequência bipolar

O BodyTite utiliza um princípio diferente.

A energia de radiofrequência é transmitida entre um eletrodo localizado abaixo da pele e outro na superfície. Dessa forma, ocorre aquecimento controlado dos tecidos entre esses dois pontos.

O sistema permite monitorar parâmetros durante o tratamento e busca produzir aquecimento suficiente para estimular contração tecidual, mantendo controle sobre a temperatura superficial.

Aqui, portanto, temos outra combinação entre temperatura, tempo e distribuição da energia.

O objetivo continua semelhante — produzir contração e remodelamento dos tecidos —, mas o mecanismo de entrega da energia é diferente.

QuantumRF: evolução dentro da radiofrequência bipolar

O QuantumRF também utiliza o conceito de radiofrequência bipolar, representando uma evolução tecnológica dentro dessa família de equipamentos.

É importante fazer essa distinção porque tecnologias diferentes às vezes são agrupadas simplesmente como “aparelhos para retração de pele”.

Na realidade, elas podem entregar energia de maneiras bastante diferentes.

O QuantumRF não deve ser entendido como uma evolução do plasma, mas como uma tecnologia relacionada ao desenvolvimento dos sistemas de radiofrequência bipolar, ele entre retração de pele porém não consegue alcançar temperaturas de contração máxima de colágeno com segurança.

E o Argoplasma?

Existem também equipamentos que utilizam plasma de argônio para transmissão de energia aos tecidos.

Embora muitas vezes sejam colocados comercialmente na mesma categoria de tecnologias de retração, plasma de argônio e plasma de hélio não devem ser considerados automaticamente equivalentes.

O gás utilizado, a forma de geração da energia, os parâmetros de aplicação e o comportamento térmico podem ser diferentes.

Estudos demostraram que o Argonio por ser mais pesado que o Helio causa mais lesao térmica e portanto mais seroma e complicaçoes. Outro estudo mostrou serie de casos porem descreveu a ausencia de estudos translacionais que comprovem sua segurança e eficácia.

Por isso, resultados obtidos com uma tecnologia não devem ser simplesmente transferidos para outra.

Laser também pode produzir retração?

Sim.

Na lipoaspiração assistida por laser, a energia luminosa é absorvida pelos tecidos e convertida em calor.

Além de atuar sobre o tecido adiposo, esse aquecimento pode produzir alterações no colágeno e contribuir para algum grau de retração.

Novamente, o resultado depende da quantidade e distribuição da energia e das características da pele tratada.

E o ultrassom, como o VASER?

O ultrassom atua de maneira diferente.

Equipamentos de lipoaspiração assistida por ultrassom utilizam energia ultrassônica para facilitar a emulsificação e remoção da gordura.

Embora possam ocorrer efeitos térmicos e alterações nos tecidos, o mecanismo principal não é simplesmente aquecer a pele para fazê-la contrair. Aqui precisamos tomar cuidado pois a retração presente pode ser apenas da propria lipoaspiracao e nao do aparelho que é muito útil porém tem funçao de liquefazer a gordura para faciliar a lipoasiração.

Por isso, comparar VASER, radiofrequência, laser e plasma apenas pela “temperatura atingida” não representa adequadamente as diferenças entre essas tecnologias.

Quanto a pele realmente retrai?

Essa é provavelmente a pergunta mais importante — e também uma das mais difíceis de responder.

Estudos científicos já demonstraram retração após diferentes técnicas de lipoaspiração e diferentes tecnologias associadas.

Entretanto, existe grande variação entre os trabalhos.

Os pesquisadores utilizam métodos diferentes para medir retração, tratam regiões corporais diferentes, utilizam equipamentos e parâmetros distintos e acompanham os pacientes por períodos diferentes.

Além disso, uma parte da retração ocorre naturalmente após a própria lipoaspiração.

Por isso, percentuais publicados em estudos não devem ser interpretados como uma previsão individual de resultado.

Se um estudo relata determinada porcentagem de retração, isso não significa que todo paciente tratado com aquela tecnologia apresentará exatamente aquele resultado.

A tecnologia não corrige qualquer grau de flacidez

Esse talvez seja o ponto mais importante para quem está considerando uma cirurgia.

Existe uma diferença entre:

pele com capacidade de retração, que pode se beneficiar da lipoaspiração isolada ou associada a tecnologias;

e

excesso verdadeiro de pele, no qual pode ser necessária sua retirada cirúrgica.

Por exemplo, um paciente com pequena ou moderada flacidez abdominal pode eventualmente se beneficiar de uma estratégia que combine lipoaspiração e estímulo de retração.

Já um paciente com grande excesso cutâneo após gestação ou perda importante de peso pode necessitar de abdominoplastia.

Nenhum equipamento deve ser apresentado como substituto universal da retirada de pele.

Então, qual é a melhor tecnologia?

Não existe uma resposta única.

Renuvion, radiofrequência bipolar, QuantumRF, laser, ultrassom e outras tecnologias possuem mecanismos, vantagens, limitações e níveis de evidência diferentes.

Mais importante do que escolher o equipamento pelo nome é responder algumas perguntas:

Existe realmente indicação para utilizar uma tecnologia de retração?

Qual é o grau de flacidez?

Qual é a qualidade da pele?

Existe excesso de pele que deveria ser retirado?

Qual tecnologia é mais adequada para aquela região e para aquele paciente?

Quais são os riscos e benefícios adicionais de associá-la à lipoaspiração?

Tecnologia é uma ferramenta, não uma indicação

A evolução tecnológica ampliou muito as possibilidades da cirurgia de contorno corporal.

Hoje podemos combinar técnicas de lipoaspiração com diferentes formas de energia para buscar melhor definição e maior adaptação dos tecidos em pacientes selecionados.

Mas o equipamento não substitui o diagnóstico.

Antes de decidir entre Renuvion, radiofrequência, laser, ultrassom ou qualquer outra tecnologia, é necessário avaliar a quantidade de gordura, a qualidade da pele, o grau de flacidez, a anatomia e as expectativas de cada paciente.

Em alguns casos, a lipoaspiração isolada pode ser suficiente.

Em outros, uma tecnologia de retração pode acrescentar benefício.

E existem situações em que a melhor opção continua sendo retirar o excesso de pele cirurgicamente.

O melhor resultado não depende de utilizar a tecnologia mais nova ou de atingir a maior temperatura. Depende de escolher corretamente o procedimento para cada paciente.


Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui uma avaliação médica individualizada. Indicações, benefícios, limitações e riscos de cada procedimento devem ser discutidos durante a consulta.