Nanofat, Microfat e Macrofat: qual a diferença e como a gordura pode ser usada no rejuvenescimento facial?
A enxertia de gordura evoluiu muito nas últimas décadas. Hoje, a gordura retirada do próprio paciente não é utilizada apenas para preencher áreas que perderam volume. Dependendo da forma como ela é coletada, preparada e aplicada, pode ser empregada com objetivos diferentes, desde a reposição estrutural de volume e melhora do contorno facial até abordagens voltadas à qualidade dos tecidos.
É nesse contexto que surgem termos como macrofat, microfat e nanofat. Embora todos tenham origem no tecido adiposo do próprio paciente, eles não são equivalentes e não devem ser utilizados com a mesma finalidade.
O que é o macrofat?

O macrofat corresponde à gordura preparada para enxertia em planos nos quais é necessário proporcionar volume e suporte estrutural.
Após a coleta, o tecido adiposo é processado e transferido para regiões que apresentam perda de volume ou que precisam de maior projeção. Na face, pode ser utilizado, conforme a anatomia e a indicação de cada paciente, em áreas como região temporal, malar, terço médio da face, linha mandibular e outras regiões que necessitem de restauração volumétrica.
Seu principal objetivo, portanto, é volumétrico e estrutural.
Uma parcela das células adiposas transferidas pode sobreviver e integrar-se ao tecido receptor. Entretanto, parte do volume inicialmente enxertado pode ser reabsorvida, razão pela qual o resultado final deve ser avaliado após o período de integração e estabilização dos tecidos.
O que é microfat?

O microfat é constituído por partículas de gordura menores, obtidas por técnicas de coleta e processamento que permitem sua aplicação através de cânulas mais delicadas.
Isso possibilita trabalhar de maneira mais precisa em determinadas regiões da face e em planos mais superficiais, quando comparado a enxertos de partículas maiores.
O microfat pode ser utilizado para correção de pequenas deficiências de volume, refinamento de contornos e transições faciais, dependendo da indicação.
Uma diferença importante é que o microfat ainda contém adipócitos viáveis e, portanto, mantém uma finalidade relevante de enxertia volumétrica, embora em escala mais delicada.
E o que é nanofat?

Apesar do nome, nanofat não significa que existam partículas de gordura em escala nanométrica.
O termo descreve um produto obtido após processamento mecânico mais intenso da gordura, geralmente envolvendo emulsificação e filtração. Nesse processo, grande parte dos adipócitos maduros é rompida.
Por esse motivo, o nanofat não deve ser considerado uma técnica destinada principalmente a criar volume.
O interesse pelo nanofat está relacionado à fração celular e à matriz derivadas do tecido adiposo que permanecem após o processamento. Na literatura científica, seu uso tem sido estudado principalmente para aplicações superficiais relacionadas à qualidade da pele, cicatrizes, alterações de textura e fotoenvelhecimento.
É importante, entretanto, separar resultados experimentais e estudos clínicos iniciais de benefícios definitivamente estabelecidos. Termos como “regeneração”, “rejuvenescimento celular” ou “células-tronco” devem ser utilizados com cautela, porque podem simplificar excessivamente mecanismos biológicos complexos.
Nanofat, microfat e macrofat: qual escolher?
| Característica | Macrofat | Microfat | Nanofat |
|---|---|---|---|
| Partículas | Maiores | Menores | Gordura emulsificada/processada |
| Principal finalidade | Volume e estrutura | Volume delicado/refinamento | Qualidade tecidual |
| Capacidade de gerar volume | Alta | Moderada | Muito pequena |
| Planos de aplicação | Geralmente mais profundos | Profundos/intermediários e selecionados | Predominantemente superficiais |
| Aplicação facial | Reposição volumétrica | Refinamento e pequenas correções | Pele e alterações superficiais selecionadas |
Na prática, não existe uma técnica universalmente superior. Elas podem inclusive ser complementares.
Por exemplo, durante um procedimento de rejuvenescimento facial, pode haver indicação de restaurar volume profundo com enxertia de gordura e, simultaneamente, utilizar uma preparação mais delicada em regiões selecionadas. A estratégia depende da anatomia, da qualidade da pele, da perda volumétrica e dos objetivos do paciente.
Lipofilling associado ao facelift
O envelhecimento facial não acontece apenas porque a pele se torna flácida. Também ocorrem modificações nos compartimentos de gordura, ligamentos, músculos e estruturas profundas da face.
Por isso, em pacientes selecionados, procedimentos como o facelift ou lifting cervical podem ser associados à enxertia de gordura.
Enquanto a cirurgia reposiciona estruturas que sofreram deslocamento com o envelhecimento, o lipofilling pode restaurar volumes perdidos e melhorar determinadas transições faciais.
A proposta não deve ser simplesmente “preencher o rosto”, mas buscar uma distribuição de volume compatível com a anatomia e com as características individuais do paciente.
De onde vem a gordura?
A gordura utilizada é autóloga, ou seja, retirada do próprio paciente. Regiões como abdome, flancos ou coxas podem servir como áreas doadoras, dependendo da disponibilidade e do planejamento cirúrgico.
O tecido é coletado, processado de acordo com a finalidade pretendida e posteriormente enxertado por meio de cânulas apropriadas.
Como qualquer procedimento cirúrgico, a enxertia de gordura apresenta riscos e limitações, incluindo edema, equimoses, irregularidades, assimetrias, infecção, formação de nódulos ou cistos oleosos, reabsorção parcial e necessidade de retoques. Complicações vasculares graves são raras, mas possíveis, especialmente em determinadas regiões da face, tornando essenciais o conhecimento anatômico e a técnica adequada.
O resultado é permanente?
A gordura que sobrevive ao processo de enxertia tende a comportar-se como tecido adiposo vivo.
O resultado pode ser influenciado pela região tratada, técnica utilizada, vascularização do tecido receptor, características individuais e alterações futuras de peso.
Por isso, a avaliação do resultado definitivo exige tempo.
Lembrando que ao ganhar peso ou perder peso toda a gordura corporal ira variar.

Qual é a melhor técnica para cada paciente?
A escolha entre deve partir daquilo que se pretende corrigir.
Quando existe perda estrutural de volume, enxertos capazes de proporcionar volume são necessários. Para correções mais delicadas, partículas menores podem ser úteis. Já quando o objetivo é trabalhar características superficiais dos tecidos, o nanofat pode ser considerado em pacientes selecionados.
Mais importante do que escolher entre três nomes é estabelecer um planejamento individualizado da face, identificando onde existe flacidez, perda de volume, alteração de contorno e mudança na qualidade da pele.
Dr. Fabiano Arruda, MD, PhD
Cirurgião Plástico
CRM-GO 10.358 | RQE 7.050
